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Readymade Brasil e Pedro Calapez no Museu Berardo em 2020

Escrito por em 27/12/2019

Exposições dedicadas ao ‘readymade’ no Brasil, e ao trabalho de Pedro Calapez e Andre Gomes, Andreas Bitesnich e Cristina Ataíde estão na programação do Museu Coleção Berardo, em Lisboa, para 2020.

A programação de exposições começa com “Joana Escoval. Mutações. The Last Poet”, a 12 de fevereiro, com curadoria de Pedro Lapa, uma instalação que transforma a arquitetura do espaço das galerias do piso -1 do museu.

O trabalho de Joana Escoval percorre um “contínuo de curvas orgânicas que solicita uma deambulação na qual o encontro com diversas esculturas, um vídeo e outros elementos se encadeia numa narrativa poética que tem continuidade no pequeno pavilhão instalado no terraço do segundo piso”, adianta a programação.

As questões associadas às relações entre as substâncias, o corpo e o mundo são exploradas através das metáforas produzidas por estes dispositivos criados pela artista, nascida em Lisboa, em 1982, e distinguida na edição de 2012 do Prémio BES Revelação.

“Deeper Shades. Lisboa e Outras Cidades” é inaugurada a 19 de fevereiro com uma visão do trabalho do fotógrafo austríaco Andreas H. Bitesnich, pensada a partir das grandes cidades que o artista explora nos livros “Deeper Shades”.

A exposição, com curadoria de João Miguel Barros, foi precedida pela residência artística do artista em Lisboa, em 2019, e é organizada em diferentes núcleos: o central, onde serão apresentadas as fotografias de Lisboa; e outros cinco, mais pequenos, onde se exporá uma seleção de imagens das outras metrópoles — Nova Iorque, Tóquio, Paris, Viena e Berlim.

Inspiradas em históricas fotografias de viagem, estas séries são desenvolvidas de uma forma muito particular, com um vocabulário pictórico próprio. Em março, a partir do dia 18, Julian Opie apresentará “Pessoas”, a sua primeira individual em Lisboa, com homens e mulheres como tema central da exposição, representados de várias formas e com vários materiais, ora estáticos, ora em movimento, ora pintados, ora esculpidos.

Opie é um artista britânico da cena contemporânea conhecido pela particularidade de representação dos seus retratos, figuras e paisagens. Nos seus trabalhos, o tratamento estilizado dos retratados — pintados em cores sólidas, com contornos negros e espessos, para as feições — é uma mistura de pop art e minimalismo com uma sensibilidade inteiramente contemporânea.

O artista, que é o seu próprio curador, planeia produzir uma instalação gigantesca que, inspirada na Torre de Belém, aludirá à arquitetura portuguesa manuelina.

A 13 de maio, será a vez de ser apresentado “X Projectomap”, que marca os dez anos de história do “ProjectoMap”, uma interpretação do panorama artístico português da última década, um mapa de relações, afinidades e cruzamentos entre práticas e discursos que influenciam a leitura da produção artística contemporânea.

Esta exposição tem como objetivo mostrar “um processo de mapeamento cultural, o entendimento de uma cena artística baseada num sistema de ligações entre os artistas — ligações subjetivas, do campo emocional e da amizade, bem como ligações do campo referencial de trabalho”, segundo a descrição dos curadores, Alda Galsterer e Verónica de Mello.

“Matéria Luminal”, a partir de 22 de julho, vai abordar temáticas relacionadas com a luz através de um percurso pelas práticas artísticas em Portugal, desde os meados da década de sessenta até à atualidade.

Com cerca de quarenta artistas, a exposição tem curadoria de Sérgio Mah, e reúne um conjunto muito diversificado de suportes — pintura, desenho, escultura, instalação, fotografia, vídeo —, “permitindo discernir a amplitude de tendências, atitudes e processos estéticos e conceptuais que têm marcado a arte contemporânea nacional”.

A abertura de “Cristina Ataíde. Em Trânsito” terá lugar a 23 de setembro, com uma seleção de obras da artista plástica portuguesa dispostas num percurso articulado por cinco salas, que se encadeiam num único piso.

“O trabalho da artista desenvolve-se em torno da relação entre a fluência do espírito e os vários estados da matéria, celebrando tanto a relação do indivíduo com a natureza como o processo associado a uma mutação interior/espiritual que é também exterior/física”, segundo a programação.

A proposta curatorial – de Sérgio Fazenda Rodrigues – aprofunda a ideia de movimento, que atravessa diferentes períodos do seu trabalho, e explora a noção de percurso, que, ao longo dos anos, se tem afirmado na relação com vários suportes, materiais e tipos de intervenção.

“Seja Dia, Seja Noite, Pouco Importa” vai reunir, a partir de 14 de outubro, obras inéditas de Pedro Calapez e André Gomes, sendo constituída por pinturas, desenhos e fotografias.
Trata-se de ensaiar um cruzamento entre os olhares e meios de expressão destes dois artistas, no seguimento de uma longa cumplicidade relativa ao trabalho individual de cada um.

Com dois artistas em tudo diferentes, mas ideias e temas comuns, este projeto toca o género ‘cadavre exquis’ e vai buscar o título aos poemas de John Milton, o autor de “Paraíso Perdido”.
A programação de 2020 do Museu Berardo encerra com “Readymade Brasil”, a partir de 2 de dezembro, uma exposição que traça um panorama histórico da influência do ‘readymade’ na produção artística brasileira.

O ‘readymade’ foi introduzido no Brasil na década de sessenta a partir da atividade dos artistas concretos e neoconcretos e, desde então, está presente na produção artística das subsequentes gerações de artistas, que frequentemente recorrem ao procedimento ‘duchampiano’ para realizar as suas criações.

Esta exposição, com curadoria de Daniel Rangel, cria uma linha do tempo desta presença nas mais distintas gerações de artistas a partir da inclusão de trabalhos históricos e icónicos de diferentes períodos, numa homenagem à obra de Duchamp, ao ‘readymade’, à apropriação e à liberdade de criação.


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