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“O Irlandês” disponível apenas em ‘streaming’

Escrito por em 28/11/2019

O filme “O Irlandês”, do realizador Martin Scorsese, está disponível na plataforma de ‘streamming’ Netflix, a par da exibição em sala em alguns países, mas não em Portugal.

“O Irlandês” junta Al Pacino, Robert De Niro e Joe Pesci, e é descrito como “um épico solenemente operático” sobre crime organizado, com três horas e meia de duração, que Martin Scorsese rodou com produção da Netflix, graças a um orçamento de 159 milhões de dólares.

O filme parte de um caso real, investigado pela polícia norte-americana, sobre o desaparecimento, em 1975, de Jimmy Hoffa, líder do sindicato dos camionistas norte-americanos, tendo a autoria do crime sido atribuída a Frank Sheeran, a quem chamavam de “o irlandês”, com ligações à mafia.

A par da expectativa da estreia, por juntar aquele elenco e Martin Scorsese, “O Irlandês”, o filme, voltou a suscitar um debate sobre formas de distribuição e exibição cinematográfica, pela entrada em campo das plataformas de ‘streamming’, que permitem ao espectador ver um filme ou uma série em diferentes ecrãs e as vezes que quiser, fora da sala de cinema.

O filme teve uma primeira exibição em setembro, no Festival de Cinema de Nova Iorque, tendo depois as distribuições norte-americanas tentado, em vão, um acordo com a Netflix para exibição durante 90 dias em salas ‘multiplex’, antes da estreia em ‘streamming’.

Ainda assim, a par da estreia na plataforma, a Netflix conseguiu que o filme passe em várias salas independentes, não só nos Estados Unidos, mas também noutros territórios, como Espanha e Itália.

Segundo a revista Variety, “O Irlandês” será a maior estreia em sala entre os filmes produzidos pela Netflix, com exibição em 50 salas em Espanha, cem em Itália, cem na Coreia do Sul e 50 na Alemanha.

Em Portugal, não houve acordo com as distribuidoras para uma exibição em sala, por isso “O Irlandês” só será visto por quem subscrever o serviço da Netflix.

Em junho, em declarações à Associated Press, Martin Scorsese explicava que a Netflix foi a única produtora disposta a custear o filme, encarecido também por causa dos efeitos especiais inovadores que permitem um rejuvenescimento dos atores, por causa do arco temporal da narrativa.

O Cinema Ideal, em Lisboa, publicou na página oficial no Facebook um texto, que aqui citamos, bastante crítico face aos responsáveis da Netflix em Portugal.

«SOBRE A NÃO ESTREIA DO FILME DE MARTIN SCORSESE NOS CINEMAS EM PORTUGAL, E EM PARTICULAR NO CINEMA IDEAL

Está a partir de hoje disponível na plataforma NETFLIX e em exclusivo para os seus clientes o filme O IRLANDÊS de Martin Scorsese.

Apesar de estrear em inúmeros países em salas de cinema (como aqui ao lado na vizinha Espanha em 50 cinemas ou em Itália em 100), em Portugal isso não acontece.

O cinema Ideal, que já há um ano tinha estreado o filme ROMA, há muito que fez as diligências necessárias e suficientes para demonstrar o seu interesse em estrear o filme.

Ainda há poucas semanas, fomos contactados pela agência de comunicação que em Portugal é porta-voz da Netflix para a realização de uma projecção do filme restrita à imprensa e à crítica.

Respondemos que teríamos todo o gosto em fazê-la, caso pudéssemos estrear o filme. Não vemos como poderíamos estar a deixar mostrar o filme a um número restrito de pessoas numa sala de cinema, quando a generalidade dos espectadores de cinema não o poderiam fazer.

Mais uma vez, e formalmente, a porta-voz da Netflix recusou a estreia do filme no Ideal. E foi fazer essa sessão para uma sala de espectáculos de Lisboa.

Não é por isso de todo em todo verdade que os cinemas em Portugal não quisessem estrear o filme. O cinema Ideal sempre esteve interessado e queremos crer que os cinemas que há um ano estrearam o filme Roma teriam o mesmo interesse.

O cinema vive hoje em dia uma situação de grande turbulência no que diz respeito às condições da sua circulação e produção, e as salas de cinema são as mais directamente ameaçadas por essa ‘turbulência’.

Mas tanto quanto estamos preocupados com o que ‘estreias’ como esta podem prejudicar a cronologia tradicional de difusão dos filmes, não deixamos de acreditar que os nossos espectadores e em geral todos os que gostam de cinema quereriam ver o filme de Martin Scorsese numa sala de cinema.

A decisão da Netflix de não autorizar a estreia de O IRLANDÊS em Portugal é uma absoluta falta de respeito pelos portugueses que gostam de cinema. Mesmo num país em que a ausência de uma clara, afirmativa e consistente política pública para as salas de cinema continua por concretizar, esta é, digamo-lo claramente, uma afronta desnecessária e escusada.»


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