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Vicente Alves do Ó está a rodar filme sobre Amadeo

Escrito por em 26/11/2019

O realizador português Vicente Alves do Ó está a filmar uma longa-metragem biográfica sobre Amadeo de Souza-Cardoso, “um artista fascinante que não pediu licença para existir”.

“Tinha um sentimento muito pouco fatalista, pouco provinciano e pouco depressivo. Combateu o clichê do artista modernista, boémio, excessivo, da noite, fugiu ao clichê do artista maldito”, descreveu Vicente Alves do Ó a Sílvia Borges da Silva, da agência de notícias Lusa.

“Amadeo” é protagonizado pelo ator Rafael Morais, à frente de um elenco que conta ainda com Ana Lopes como Lucie Pecetto, a mulher do pintor, e ainda José Neves enquanto Almada Negreiros, Carla Chambel como Sarah Affonso, João Cachola como Modigliani, e ainda Ana Vilela da Costa, José Pimentão, Lúcia Moniz, Manuela Couto, Rogério Samora, Mariana Pacheco e Eunice Muñoz.

Está ainda por anunciar quem fará de Pablo Picasso, de quem foi também contemporâneo no percurso modernista. A rodagem começa no dia 14 e terminará a 18 de dezembro, com filmagens em Lisboa, Óbidos, Sintra e Caldas da Rainha.

Com estreia marcada para 12 de novembro de 2020, “Amadeo” tem produção da Ukbar Filmes, com um orçamento superior a um milhão de euros, apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual, RTP, do Fundo de Turismo e Cinema e da Fundação Calouste Gulbenkian.

Vicente Alves do Ó, que volta a fazer um filme biográfico depois de “Florbela” (2012) e “Al Berto” (2017), explicou que a abordagem em “Amadeo” será como “montar um puzzle, mais imagético do que literário”, inspirado na época e na obra do pintor e baseado em acontecimentos ocorridos entre 1911 e 1918, entre Paris, Manhufe e Espinho.

De acordo com o realizador, serão recriados momentos como aquele em que Amadeo de Souza-Cardoso apresentou os primeiros trabalhos no atelier em Paris em 1911, mas também a relação com os artistas Robert e Sonia Delaunay, a exposição no Salão de Festas do Jardim Passos Manuel, no Porto em 1916, e o período que antecede a morte em 1918, aos 30 anos.

De acordo com a produção, o filme terá distribuição pela NOS Audiovisuais na rede comercial, mas estão planeadas exibições em auditórios municipais e cineclubes e sessões escolares para o ensino básico e secundário.

Amadeo de Souza-Cardoso nasceu em Manhufe, Amarante, em 14 de novembro de 1887, estudou Arquitetura na Academia de Belas-Artes de Lisboa antes de viajar até Paris, em 1906.

Na capital francesa, conhece e convive com várias figuras fundamentais da arte do século XX, com particular destaque para Modigliani. Expôs nos EUA, em 1913, ao lado de nomes como Braque, Matisse, Duchamp e Gleizes, como recorda a biografia disponível na página da Gulbenkian. Amadeo de Souza-Cardoso morreu, em Espinho, em 1918.


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