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Biblioteca Nacional inaugura exposição sobre Jorge de Sena

Escrito por em 18/11/2019

A Biblioteca Nacional de Portugal inaugura na terça-feira uma exposição sobre a vida e obra do escritor Jorge de Sena, “As Máscaras do Poeta”, no âmbito das celebrações do centenário do seu nascimento.

A exposição “irá mostrar a vida, obra e as diferentes atividades de Jorge de Sena, na sua grande diversidade, abrangerá cartas e correspondência dirigida a diferentes figuras do mundo intelectual e artístico português, manuscritos, obras publicadas, ensaios e participação em jornais e revistas, fotografias e vídeos com entrevistas a Jorge de Sena, entre outros”, explicou a Nuno Lopes da agência de notícias Lusa fonte da Biblioteca.

A mostra tem como com base “a documentação do espólio do escritor”, integrado nos acervos da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), de acordo com a instituição.

A exposição, patente até fevereiro próximo, intitula-se “Jorge de Sena – As Máscaras do Poeta”, e é inaugurada na terça-feira às 18:30, contando com a presença, entre outras personalidades, da secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira, da comissária da mostra, Isabel de Sena, filha do autor, e das suas irmãs Joana, Mariana e Maria José.

Jorge de Sena (1919-1978) é “hoje considerado um dos grandes poetas de língua portuguesa e uma das figuras centrais da cultura do nosso século XX”, afirma em comunicado a BNP.

Começou a escrever poesia aos 16 anos. Em 1944, licenciou-se em Engenharia Civil pela Universidade do Porto, tendo trabalhando na Junta Autónoma de Estradas, de 1948 a 1959, quando se exilou no Brasil, “receando as perseguições políticas resultantes de uma falhada tentativa de golpe de Estado, a 11 de março desse ano, em que estava envolvido”.

Residindo no Brasil, assumiu a carreira docente, e ensinou Literatura, acabando por se doutorar em Letras, em 1964, obtendo também o diploma de Livre-Docência, pelo que, previamente, se naturalizou brasileiro, em 1963.

O autor já tinha estado no Brasil, quando ali aportou, a bordo do navio-escola Sagres, ainda jovem cadete da Marinha, quando parecia dar continuidade à tradição naval da família — o seu pai era comandante da Marinha Mercante.

A BNP afirma que “os anos no Brasil (1959-65) são talvez o seu período mais criativo”, mas a alteração política naquele país, com o golpe militar de 1964, que deu origem a uma ditadura de 20 anos, leva a que se mude para os Estados Unidos.

Primeiro fixou-se em Madison, lecionando na Universidade do Wisconsin, onde foi catedrático do Departamento de Espanhol e Português. Em 1970, estabeleceu-se em Santa Barbara, Califórnia, onde foi catedrático de Literatura Comparada.

A obra de Jorge de Sena, “vasta e multifacetada, compreende mais de vinte coletâneas de poesia, uma tragédia em verso, uma dezena de peças em um ato, mais de trinta contos, uma novela e um romance, e cerca de quarenta volumes dedicados à crítica e ao ensaio, à história e à teoria literária e cultural, ao teatro, ao cinema e às artes plásticas, de Portugal, do Brasil, da Espanha, da Itália, da França, da Alemanha, da Inglaterra ou dos Estados Unidos, sem esquecer as traduções de poesia, de ficção, de teatro e ensaio”, sintetiza a BNP.

Estreou-se na poesia com “Perseguição”, em 1942, seguindo-se títulos como “Coroa da Terra”, “Pedra Filosofal”, “Arte de Música”, “Exorcismos”, “Sobre Esta Praia”, “Quarenta Anos de Servidão”, surgindo, postumamente, “Dedicácias”, “Sequências”, “Visão Perpétua” e “Post-Scriptum”.

Na ficção somaram-se contos e novelas como “Antigas e Novas Andanças do Demónio”, “Os Grão-Capitães”, “O Físico Prodigioso” e o romance “Sinais de Fogo”, o olhar da literatura portuguesa para o ano de 1936 e o início da Guerra Civil Espanhola (a partir da Figueira da Foz).

“Da Poesia Portuguesa”, “O Reino da Estupidez”, “Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular”, “A Estrutura de ‘Os Lusíadas’ e Outros Estudos Camonianos e de Poesia Peninsular do Século XVI”, “Maquiavel e Outros Estudos”, “Dialéticas Aplicadas da Literatura”, “Fernando Pessoa & Cia. Heterónima”, “A Literatura Inglesa” destacam-se entre os seus volumes de ensaios.
Para teatro escreveu “O Indesejado”, “Ulisseia Adúltera”, “O Banquete de Dionísos”, “Epimeteu ou o Homem Que Pensava Depois”.

A correspondência de Jorge de Sena envolve trocas com Guilherme de Castilho, José Régio, Vergílio Ferreira, Eduardo Lourenço, José-Augusto França, Delfim Santos, António Ramos Rosa e João Gaspar Simões, além de Mécia de Sena, sua mulher, e de Sophia de Mello Breyner Andresen, sua contemporânea, nascida igualmente em novembro de 1919.

Entre outras distinções, Jorge de Sena recebeu o Prémio Internacional de Poesia Etna-Taormina, pelo conjunto da obra poética, foi condecorado com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique (1977), a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada de Portugal (1978).

Em 1980, após a morte do escritor, a Universidade da Califórnia inaugurou, em Santa Bárbara, o Centro de Estudos Portugueses Jorge de Sena (Jorge de Sena Center for Portuguese Studies).


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