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Porto/Post/Doc fecha programação

Escrito por em 30/10/2019

A sexta edição do Porto/Post/Doc conta com nove filmes na secção Competição Internacional, enquanto a secção ‘Highlights’ regressa com antestreias nacionais, indicou hoje a organização do festival que decorre entre 23 de novembro e 1 de dezembro.

Ben Rivers e Anocha Suwichakornpong, que apresentam “Krabi, 2562”, filme rodado na Tailândia em torno do fenómeno da gentrificação no sudoeste do país, e Kim Longinotto que, com “Shooting the Mafia”, traz as memórias de uma fotojornalista italiana e da luta travada contra a máfia siciliana, são realizadores cujos documentários se destacam na seleção.

Já a realizadora Anna Eborn regressa ao Porto/Post/Doc com os amores juvenis de “Transnístria”, enquanto Anna Odell questiona os papéis de género na sociedade através do “X&Y”, filme que, de acordo com o diretor do festival, Dario Oliveira, “sem ser propagandístico, é uma interpretação da realidade”, servindo para pôr o público a refletir sobre aquilo em que “estamos a transformar-nos enquanto seres humanos”.

Soma-se Mostafa Derkaoui com “De quelques évènements sans signification” (1974), documentário rodado em Casablanca que, a partir de uma interrogação sobre o próprio cinema, acaba por expor a miséria social e a violência daí resultante. Proibido pela censura, imediatamente após a estreia, em 1974, só recentemente foi encontrado e digitalizado pela Filmoteca de Catalunya.

A seleção integra ainda “Lilian”, de Andreas Horvath, “The Science of Fictions”, de Yosep Anggi Noen, “Creature Where Are You Going?”, de Gaia Formenti e Marco Piccarreda, e “Rushing Green With Horses”, de Ute Aurand, autora cuja obra também faz parte da secção Foco do festival, a par do lituano Audrius Stonys.

“A edição deste ano trabalha as Questões Identitárias. A nossa vontade de explorar este tema é uma vontade muito expressa na programação”, afirmou Dario Oliveira na apresentação de hoje do Porto/Post/Doc, altura em que também anunciou que em 2020 haverá uma nova secção no festival, exatamente dedicada a este tema.

“Chamar-se-á ‘Identidades’ porque este é um tema vasto, transversal, polémico e por vezes politicamente irreverente, tendo muita contemporaneidade”, disse o diretor do festival.

Quanto à secção ‘Highlights’, esta conta com antestreias nacionais como “O Filme do Bruno Aleixo”, de João Moreira e Pedro Santo, e “Cães que Ladram aos Pássaros”, de Leonor Teles, realizadores que estarão presentes na cerimónia de entrega de prémios, a 30 de novembro.

Destaque, ainda, para “Andrey Tarkovsky: A Cinema Prayer”, realizado por Andrey A. Tarkovsky, filho do cineasta russo, realizador de “Nostalgia”, “O sacrifício” e “Stalker”, nascido na União Soviética, que marcou as cinematografias do século XX (“Solaris”, a sua adaptação do romance de Stanislaw Lem, serviu de modelo a Steven Soderbergh, por exemplo), ou para “Marianne & Leonard: Words Of Love” que, segundo Dário Oliveira, “fala das questões identitárias de forma muito apaixonada e sentimental”, somando-se “Zé Pedro Rock’n’roll”, de Diogo Varela Silva, documentário recém-distinguido no festival DocLisboa, com o prémio do público.

O “Fórum do Real”, secção de debates complementados com filmes, terá três mesas, a “Da Terra”, com o geógrafo Álvaro Domingues, o realizador Ben Rivers e a antropóloga Susana de Matos, a “Da Imagem”, com a realizadora Chistiana Perschon, o investigador Daniel Ribas e o crítico Pedro Mexia, bem como “Do Pensamento”, com o ensaísta António Guerreiro, a filósofa Marie-José Mondzain e a realizadora Valérie Massadian.

Dario Oliveira estima que o Porto/Post/Doc junta “entre 120 a 140 filmes”, mas para o diretor “a vontade do festival não é mostrar muitos filmes”, mas sim “ter e manter um público participante que venha e volte e crie a sua agenda de cinema”.

O diretor do festival também comentou que “a média de utilização por sessão tem ultrapassado as 100 pessoas”, algo que mostra, disse “o grande reconhecimento do público”, pois representa, acrescentou, “cerca de 70% de cadeiras ocupadas nas salas”.

O Porto/Post/Doc vai ocupar o Teatro Municipal do Porto – Rivoli, o Cinema Passos Manuel e o Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, desdobrando-se, além das secções descritas, num programa homónimo, paralelo, de filmes, sessões de cinema para famílias, ‘workshops’, concertos e festas.

Hoje também foi destacado o projeto educativo associado ao festival com Dario Oliveira a vincar que “trazer as escolas [de vários níveis de ensino] ao festival é imperativo”.


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