Globos de Ouro premeiam grandes senhoras do teatro

Escrito por em 30/09/2019

A 24.ª gala dos Globos de Ouro decorreu, este domingo, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, com a apresentação de Cristina Ferreira, que trajou cinco vestidos e, estranhamente, recebeu o prémio de personalidade do ano na categoria de entretenimento – algo inédito e que causa um certo descrédito na própria gala da SIC. Adiante. Foram entregues prémios nas mais diversas áreas, este ano com algumas novidades no humor, entretenimento e jornalismo.

No melhor discurso da noite, Maria do Céu Guerra, distinguida com o prémio mérito e excelência, celebrou a liberdade «oferecida por pessoas como Francisco Pinto Balsemão», agradeceu o discurso da amiga Isabel Ruth – atriz premiada pela participação em “Raiva”, de Sérgio Tréfaut -, e pediu uma ovação de pé para Fernanda Montenegro, grande senhora do teatro, televisão e cinema brasileiro neste momento, e aos 89 anos, «a passar um mau bocado». Uma bonita e justa menção.

Em outros discursos de relevo podemos incluir o do ator Paulo Pinto que dedicou o prémio ao «mestre Jorge Pité», pai de Rui Pité (Riot, ex-Buraka Som Sistema), falecido no início do ano; o encenador de “Tio Vânia”, Bruno Bravo, que homenageou o ator Luís Miguel Cintra no palco do Coliseu dos Recreios; Conceição Lino que deixou recados aos atuais e futuros jornalistas para que não percam o foco e não se deixem arrastar para pântanos políticos, sociais ou económicos; Ricardo Araújo Pereira, igual a si próprio, brincou com os agradecimentos, juntou a equipa de “Gente Que Não Sabe Estar” (TVI) e iniciou a leitura de “Os Maias” até lhe cortarem o pio; com extraordinárias projeções multimédia num bonito e simples vestido branco, Bárbara Guimarães não ganhou nenhum prémio, mas com o aplauso emocionado do público e as palavras sentidas com que regressou ao meio televisivo após demorada ausência e diversos episódios rocambolescos (dignos de uma novela da CMTV…) poderá ter tido a sensação de vencer o Euromilhões.

As atuações alternaram entre o ótimo e o sofrível, com o ator tornado cantor Sérgio Praia a mimetizar na perfeição António Variações, com Áurea e Marisa Liz a dispararem, por vezes e ainda que acidentalmente, o lesdar, e a apresentarem “Eu Gosto de Ti” como duo Elas (não confundir com Elas E O Jazz, trio de Joana Machado, Marta Hugon e Mariana Norton) e com Marco Paulo a homenagear Amália – que dispensa apelido e inspira Cristina (por enquanto Ferreira…). Dos restantes que homenagearam Amália dispensa-se o comentário. Houve ainda espaço para Gavin James – bem melhor no Nos Alive –, com um “Always” em serviços mínimos.

A SIC está de parabéns pelo investimento tecnológico efetuado: ecrãs multimédia no chão do palco, pirotecnia, adereços e qualidade geral da realização – exceto alguns planos que aterraram de ‘Marte’, os microfones com tendências suicidas ou a descabida dança em homenagem aos que partiram (alguns sem oráculo, coitados, outros sem tempo para saber quem eram…).

PALMARÉS GLOBOS DE OURO 2019

Carreira – mérito e excelência
Maria do Céu Guerra

Cinema — melhor filme
“Raiva”, de Sérgio Tréfaut

Cinema — melhor ator
Carloto Cotta, em “Diamantino”

Cinema — melhor atriz
Isabel Ruth, em “Raiva”

Desporto — personalidade do ano
Cristiano Ronaldo

Digital — personalidade do ano
Mariana Cabral (Bumba na Fofinha)

Entretenimento — personalidade do ano
Cristina Ferreira

Humor — personalidade do ano
Ricardo Araújo Pereira

Jornalismo — personalidade do ano
Conceição Lino

Moda — personalidade do ano
Sara Sampaio

Música — melhor intérprete
Capitão Fausto

Melhor música
“A Vida Toda”, de Carolina Deslandes

Melhor atuação ao vivo
Mariza

Revelação do ano
João Félix

Teatro — melhor atriz
Luísa Cruz, em “A Criada Zerlina”

Teatro — melhor ator
Paulo Pinto, em “Tio Vânia”

Teatro — melhor peça
“Tio Vânia”, de Bruno Bravo (uma adaptação da obra homónima de Anton Tchékhov)


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