Iminente entre a novidade e a rutura de um coletor

Escrito por em 23/09/2019

Nem tudo cheira a rosas no Iminente, festival que tomou de “assalto” o antigo restaurante – atual miradouro – panorâmico de Monsanto, de 19 a 22 de setembro, com a curadoria de Vhils e da plataforma Underdogs.

Parafraseando Daniel Belo da rádio oficial do Iminente, a Antena 3, alguns concertos do festival foram “incríveis” (casos de Papillon, Vado Mas Ki Ás, Deau…). No espaço devoluto do antigo restaurante panorâmico de Monsanto foi possível ver arte urbana da melhor qualidade e originalidade, e assistir a conferências pertinentes.

O sistema sem dinheiro, raro em Portugal mas comum em festivais internacionais, tal como sucedera há uns anos no Primavera Sound, em Barcelona, não funcionou em pleno: o dinheiro demorava a “entrar” no cartão; numa situação tinha supostamente 15 euros disponíveis e devolvem-me 11,5 euros; noutra teria o dinheiro suficiente para um pagamento que o cartão se recusou a fazer.

O copo de cerveja – Coruja a 4,5 euros, Super Bock a 3,5 euros -, com o tamanho único de 40 cl, não se pode dizer que fosse “em conta”. A área de alimentação cumpria os requisitos mínimos de diversidade sem se sentir tanto o “desfalque” – apesar disso, com a chuva de sábado, a zona de restauração alagou, bem como o acesso à cave e nalguns casos foi possível assistir a água a escorrer a escassos cm de instalações eléctricas.

As casas de banho, concentradas num único local, perto da entrada, da restauração e da zona de carregamento do cartão, eram claramente insuficientes para o número de pessoas no recinto – 5000, segundo a organização – o que resultou na anarquia frequente de mulheres invadirem os WC masculinos, na tentativa de escaparem a filas demoradas.

No entanto, tudo isto é pouco relevante face à indignação do vídeo que se segue, mesmo com o uso frequente de vernáculo (e apesar da filmagem ao alto, humpf…), totalmente justificada pela inenarrável descarga de resíduos, nas traseiras do citado festival, em pleno parque florestal de Monsanto. Exige-se resposta da organização do festival, da Câmara Municipal de Lisboa e das autoridades de fiscalização do parque.

Vídeo via Observador em virtude de Frederico Nunes ter tornado o seu perfil privado após ter recebido ameaças:

Vídeo via Nit:
https://www.facebook.com/joaopedrosantana/videos/10214065415489732/

ESCLARECIMENTO OFICIAL DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA:
«Na sequência da denúncia de uma pessoa que estava a fazer BTT num trilho localizado junto da vedação exterior do Panorâmico de Monsanto, foi detetada ontem, cerca das 14h, a existência de uma rutura num coletor público, com a presença de resíduos e de um forte odor junto da encosta circundante ao parque de estacionamento.

Uma equipa da CML iniciou, ontem mesmo, os procedimentos para limpar o terreno através da remoção das terras afetadas, que se encontram numa zona de difícil acesso, garantido que não há qualquer impregnação e contaminação do solo.

Ao contrário do que tem sido referido, a presença de resíduos no terreno não está ligada ao uso das casas de banho, que são respeitadoras das mais elevadas normas ambientais, certificadas pela CML.

Os serviços de saneamento da CML estão, neste momento, a analisar as causas para a rutura do coletor, que tinha sido alvo de uma vistoria a 10 de agosto de 2019 – a anteceder a realização do Festival. Informação mais detalhada e conclusiva sobre o sucedido será divulgada após o final dos trabalhos de inspeção ao local.»

ESCLARECIMENTO OFICIAL DO FESTIVAL IMINENTE:
«Na sequência da descarga de esgoto no Parque Florestal de Monsanto atribuída ao Festival Iminente, a organização vem esclarecer o seguinte:

O Festival Iminente cumpriu rigorosamente todas as diligências, em sintonia com os órgãos da Câmara Municipal de Lisboa, mais especificamente os seus departamentos de ambiente e saneamento, para que todo o ecossistema fosse respeitado e as regras de funcionamento e de descargas cumpridas.

Lamentamos o sucedido, que, de acordo com as informações recolhidas até ao momento, se terá ficado a dever a uma ruptura no colector público da estrutura da conduta de esgoto na zona exterior do festival. Assim que a organização teve conhecimento da situação alertou as entidades responsáveis para que se corrigisse o sucedido.

As equipas competentes estão a tratar de resolver a questão e proceder à reparação da conduta e à limpeza do espaço afectado. Pela nossa parte, contratámos uma empresa que está no local a fazer a aspiração e limpeza dos terrenos. Procuramos desta forma minimizar qualquer tipo de impacto ambiental que possa ter sido causado.

A filosofia do festival pauta-se pelo respeito do espaço onde se insere, uma das causas que continuamos a abraçar é a do respeito para com o Parque Florestal de Monsanto.»

NOTA DA TUNETRÁDIO:
Nem o Festival Iminente nem a Câmara Municipal de Lisboa teorizam sobre as luvas e os restantes detritos encontrados nos vídeos e nas diversas fotografias publicadas no Instagram. As condições meteorológicas de sábado aumentaram o volume de água no recinto e provocaram pequenas inundações em diversos locais do recinto. E isto aconteceu perante os olhares de todos. Que mais poderá ter acontecido, às escuras e em locais de difícil acesso?

As parcas obras que o panorâmico de Monsanto foi alvo para permitir as visitas diárias não se compara com um espaço a ser ocupado por mais de 5 mil pessoas durante quatro intensos dias. Seria interessante consultar arquitectos e engenheiros isentos que confirmassem a solidez da ruína para a quantidade de público em causa.


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