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Vem aí o Lisboa Soa – IV Encontro de Arte Sonora, Urbanismo e Cultura Auditiva

Escrito por em 11/09/2019

“Lisboa Soa”, apresenta-se como o maior encontro de Arte sonora, Urbanismo e Cultura Auditiva de Lisboa.

O Lisboa Soa regressa, em setembro de 2019, à Estufa Fria para uma reflexão sobre o impacto no ambiente sonoro nas migrações causadas pela efervescente atividade humana. Pessoas, animais, plantas e sons estão em constante movimento, deslocando-se de um lado para o outro, silenciando ou transformando paisagens sonoras pelo caminho. Em alguns casos, nunca mais encontram um espaço de pertença.

Na 4.ª edição do festival de arte sonora ambiental Lisboa Soa, as “Migrações” são a temática central de uma nova série de performances, workshops e instalações sonoras, que exploram o impacto da actividade humana no meio ambiente em pleno século XXI.

Após a abordagem em anos anteriores de temáticas como “A Que deve Soar a Cidade Sustentável”, a “Biodiversidade” ou a “Água” (em 2018, o festival decorreu na Mãe D’Água), o Lisboa Soa assume-se, no quarto ano da sua realização, como o grande encontro de arte sonora, urbanismo e cultura no espaço público da capital portuguesa, promovendo a consciência de uma nova cidadania, a partir do sentido auditivo.

Nesta edição, para além da programação de artistas nacionais como Ivo Louro, Francisco Pinheiro, Paulo Morais, @C ou o coletivo feminino “Lantana”, e internacionais, como Kathy Hinde (UK), Vincent Martial (FR), Carlos Henrich (BR/DE) e Peter Cusack (UK), um dos maiores expoentes mundiais do jornalismo sonoro, o “Lisboa Soa” convida, pela primeira vez, um dos maiores festivais de arte sonora do mundo, o “Tsonami”, do Chile, a marcar presença com um conjuntos de obras e artistas chilenos comissariados por Fernando Godoy, director do festival congénere. Essa pequena comitiva chilena está a trabalhar em residência artística na Estufa Fria desde o início deste mês.

É também através da curadoria de projetos artísticos que se redesenham novas geografias no nosso meio ambiente. A Arte como disseminação científica e agregadora de todos os seres vivos, cumpre aqui neste formato, a sua designação máxima, a integração e transformação de um sentido tantas vezes ignorado, a audição. Com o passar dos anos e a constante industrialização da força bruta do trabalho, assinamos no nosso dia-a-dia, com simples rotinas, a transgressão permanente das leis da natureza, com grandes consequências no impacto ambiental. “Lisboa Soa” quer devolver-nos o espaço e o tempo para fazermos esta reflexão, mas colocar-nos a nós, seres humanos, no centro da questão, confrontando-nos com a nossa própria posição de escuta. Que tipo de ouvintes somos? E o que fazemos depois de ouvir?

Pela primeira vez, este ano o “Lisboa Soa” recebe um concerto de paisagens sonoras para bébés, com assinatura de Luís Antero: a partir de “Sons de Casa” o artista propõe estimular os sentidos dos mais pequenos com sons que fazem parte do nosso ambiente doméstico. O “Lisboa Soa” oferece ainda várias oficinas para crianças, jovens e adultos interessados em experimentar novas linguagens e ferramentas, bem como palestras sobre arquitetura, arte sonora e ambiente.

Instalações “Lisboa Soa 2019”

Peter Cusack (UK), músico, artista e ecologista sonoro, apresenta-nos “ARAL SEA”, uma instalação e uma palestra onde irá revelar as alterações do ambiente sonoro ao longo dos anos no Mar de Aral, na Ásia Central. Outrora o quarto maior lago do planeta, hoje está praticamente desaparecido, vítima de vastos esquemas soviéticos de irrigação que desviam muita água dos seus rios de origem. É um dos desastres ambientais mais significativos e menos conhecidos do século XX. Peter Cusack tem um extenso trabalho de documentação e mapeamento dos sons do planeta, foi o criador do “Favourite Sounds Project” e de “Sounds from Dangerous Places”. A paisagem sonora é o seu o campo de trabalho, sendo hoje uma figura internacionalmente reconhecida pelos seus contributos no campo da ecologia acústica.

Do Reino Unido, Kathy Hinde, traz-nos uma instalação em que a própria natureza controla a composição, um piano antigo, reciclado e convertido, onde vídeos de pássaros em movimento são projetados, formando uma partitura em constante mudança. O trabalho de Hinde nasce de uma parceria entre natureza e tecnologia que se expressa através de instalações audiovisuais e performances que combinam som, escultura, imagem e luz, inspirando-se em fenómenos encontrados no mundo natural.

O francês Vincent Martial e o brasileiro/alemão Carlos Henrich trazem-nos Ethnosphere, oito esculturas sonoras que ilustram o inconsciente coletivo que é o conjunto de sonhos, mitos e estórias que nascem da imaginação humana desde que ela existe. Etnosfera é o grande legado da humanidade, o símbolo de tudo o que somos e tudo o que podemos ser como espécie surpreendentemente inquisitiva e, tal como a biosfera, também está em risco.

“Quão fresco é o ar que está a respirar e ouvir? Porquê?” é a questão que o português, mestre em engenharia do ambiente, nos coloca, no mapa das instalações de Lisboa Soa 2019, com uma estrutura que mede fatores ambientais em seu redor e os traduz para fluxos sonoros que formam uma composição generativa.

O ritual da atmosmancia é realizado à medida que o dia passa, as plantas respiram, a luz cresce e mingua, e os poluentes circulam nas imediações.

A arte sonora em espaços públicos é o centro do trabalho artístico e da área de pesquisa de Bonn Hoeren (Bonn Escuta). Seiffarth convida-nos para a exposição “Arte Sonora Urbana”, que documenta os grandes projetos de som criados por artistas sonoros da cidade de Bonn desde 2010, aqui redesenhado para a paisagem sonora da própria Estufa Fria.

O Lisboa Soa pretende criar pontes e iniciar diálogos através da escuta. Nesta edição abre as portas para outro festival, o Tsonami, festival chileno que desde 2007 criado espaço em Valparaíso para artistas de todo o mundo experimentarem através do som, performances multimedia, concertos e instalações. Em 2019 irá marcar presença no Lisboa Soa com três artistas, onde se inclui Fernando Godoy, diretor do Tsonami, que comissariou as obras chilenas aqui em exposição. Ainda este ano, o “Lisboa Soa” viajará até ao Chile com artistas sonoros portugueses, um intercâmbio que se espera ser apenas o ponto de partida para um diálogo mais profundo com festivais congéneres.

Todo o programa do “Lisboa Soa” é de entrada gratuita, incluindo os workshops, cuja admissão é feita por inscrição e mediante a lotação do espaço.


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