Caixa Deluxe assinala os 50 anos do festival Woodstock

Escrito por em 02/08/2019

Está a comemorar-se o 50.º aniversário do Festival de Woodstock, o acontecimento que definiu uma geração e um dos momentos mais icónicos da história da música popular. Todavia, não obstante o seu duradouro significado cultural, nunca ninguém tentou documentar este histórico festival em tempo real. Foi precisamente para preencher esta lacuna que os produtores Andy Zax e Steve Woolard fizeram “Woodstock 50 – Back To The Garden: The Definitive Anniversary Archive” uma caixa de 38 CDs e 432 faixas, que inclui uma reconstrução quase integral de Woodstock em quase 36 horas de música, com as atuações de todos os artistas por ordem cronológica.

A compilação está à venda a partir de hoje exclusivamente online.

“Woodstock 50 – Back To The Garden: The Definitive Anniversary Archive” é uma edição limitada de 1969 exemplares numerados, disponibilizada numa caixa de contraplacado impressa e com um elemento em lona inspirado no palco de Woodstock, concebido pelo desenhador gráfico Masaki Koike, galardoado com um Grammy. A caixa inclui uma cópia em Blu-ray do filme de Woodstock, uma réplica do programa, uma correia de guitarra, dois cartazes de Woodstock, uma reimpressão de um diário escrito por um espectador anónimo durante o festival, duas reproduções de fotos tiradas pelo lendário fotógrafo do rock Henry Diltz, e ensaios da autoria de Zax, do aclamado jornalista de música Jesse Jarnow e da vanguardista crítica de rock Ellen Sander. A caixa inclui ainda um exemplar de “Woodstock: 3 Days of Peace & Music” (Reel Art Press), um novo livro sobre o evento escrito por Michael Lang, um dos criadores do festival.

Entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, mais de 400. 000 pessoas convergiram sobre a quinta de Max Yasgur, com 250 hectares, no Estado de Nova Iorque, para assistirem ao Festival de Woodstock. Atuaram 32 bandas e artistas individuais, incluindo alguns dos músicos mais populares e influentes da época, como Joan Baez, The Band, Crosby, Stills, Nash & Young, Creedence Clearwater Revival, Grateful Dead, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jefferson Airplane, Santana, Sly and the Family Stone e The Who.

O concerto deu origem ao documentário da autoria de Michael Wadleigh, que ganhou um Oscar, e a dois álbuns com a banda sonora. O filme e estes discos deram origem a uma mitologia popular em torno de Woodstock, mas cujo retrato do acontecimento é apenas parcial. “Woodstock 50 – Back To The Garden”, segundo escreve o produtor Andy Zax, é para as pessoas ouvirem o festival como realmente aconteceu.

O longo desafio de reconstrução do material áudio do concerto começou com a localização de mais de 60 bobines gravadas por Eddie Kramer e Lee Osborne, e das cerca de 100 bobines gravadas em palco. A identificação das fitas – algumas das quais tinham sido editadas, mal etiquetadas ou se tinham perdido – e a sua montagem correta foi um processo que nalguns casos demorou anos.

Zax diz que entre ele, o produtor de som Brian Kehew e o masterizador Dave Schultz era ponto assente de que havia a necessidade de preservarem a autenticidade das fitas. “Não admira que a primeira reação de outros produtores a estas fitas ao longo dos anos tenha sido, “pois é” e logo a seguir, “temos que arranjar isto”. Não sou contra esta abordagem, mas a grande lição que eu e o Brian Kehew aprendemos desde que começámos a trabalhar com as fitas de Woodstock, em 2005, foi a seguinte: não se podem arranjar… Mas não é tão mau como parece, porque depois de aceitarmos a ideia de que não há maneira de pôr estas gravações com um som impecável, compreendemos que estas fitas são o equivalente sónico de uma receita de família – ligeiramente imperfeita mas deliciosa”.

Todavia, nalguns casos, tiveram que recorrer às novas tecnologias para efetuar restauros. Segundo Zax “a única gravação sobrevivente da atuação de Ravi Shankar em Woodstock… é uma bobina mono com um som de pouca qualidade. No entanto, o processo inovador de desmasterização desenvolvido por James Clarke nos Abbey Road Studios permitiu-nos isolar e extrair as partes tocadas por cada instrumento e depois criar uma nova mistura em stereo. De modo semelhante, os avanços recentes na afinação polifónica permitiram-nos reparar partes (anteriormente irreparáveis) dos metais da atuação dos Blood, Sweat & Tears performance, que agora pode, pela primeira vez, ser ouvida como se pretendeu”.

Mas o material áudio de Woodstock não tem apenas a ver com música: também tem a ver com as pessoas que lá estiveram. Felizmente, os microfones estiveram ligados durante todo o festival, e capturaram tudo, desde o pessoal de palco a falar durante o almoço e alguns espectadores a pedirem os resultados de jogos de beisebol, até à inspiradora alocução de Max Yasgur ao público reunido na sua quinta.

Também se ouvem as alocuções do director de palco, John Morris, e do director de iluminação, Chip Monck, que foram recrutados para apresentadores do festival porque ninguém se lembrou de contratar um. Ouvem-se nas três compilações, entre as atuações, a fazerem diversos anúncios sobre tudo, desde chaves perdidas até avisos sobre “ácido azul”.


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