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Histórico Barreiro Rocks chega ao fim

Escrito por em 05/06/2019

Ao fim de quase duas décadas, o festival de música Barreiro Rocks deixará de se realizar, por causa de um “gradual estrangulamento financeiro”.

A decisão de encerrar o festival foi divulgada pela associação cultural Hey, Pachuco! nas redes sociais, mas Carlos Ramos explicou que em causa estava o “gradual estrangulamento financeiro que foi matando o festival – não em 2019 mas desde 2005”. “O percurso foi sempre sinuoso no que toca aos apoios. Este era, reconhecidamente, um festival com bastante importância nacional e internacional, mas que nunca conseguiu transformar essa importância em apoio financeiro”, disse.

Na página oficial, a associação Hey, Pachuco! sublinha que o Barreiro Rocks era um “festival algo inimitável”, pela “descoberta de novas bandas, a festa constante, os happenings bizarros, bem como [pela] proximidade e interacção entre os artistas e o público”. Por lá passaram nomes como Black Lips, Ty Segall, King Khan & The Shrines, Fast Eddie Nelson, The Parkinsons, The Legendary Tigerman e Lulu Blind.

Carlos Ramos, músico (Los Santeros, The Act-Ups, Bro-X, Nicotine’s Orchestra), produtor, dinamizador cultural, há mais de vinte anos dedicados à música, recordou que o Barreiro Rocks subsistia com apoio da autarquia e esforço pessoal de quem o organizava. O apoio público ao festival começou por ser 25 mil euros, em 2015, e foi sendo reduzido até aos cinco mil euros, em 2012. “Desde então, o festival começou a definhar e começámos a ter que, ano após ano, arriscar pessoalmente tempo e dinheiro para o conseguir fazer”, lamentou.

Para este ano, o apoio da autarquia subiria para 15 mil euros, explicou, mas a organização do Barreiro Rocks passaria a ter mais responsabilidades e despesas, nomeadamente com segurança e licenças. “É impossível fazer-se este festival por menos de 25 mil euros”, afirmou o músico, lamentando que o Barreiro não seja “a cidade mais apelativa para as marcas privadas investirem”.
“O Barreiro continua a ser um polo criativo muito ativo e intenso, o que não quer dizer que isso corresponda diretamente ao investimento feito pelo município. O grande impulso vem da sociedade civil: artistas, associações, público que aparece nos eventos – quase sempre a expensas privadas e com muito poucas condições. Desde sempre”, rematou Carlos Ramos.


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