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“Terras Sem Sombra” em Barrancos nos dias 8 e 9 de junho

Escrito por em 04/06/2019

O “Terras Sem Sombra” caminha para a sua nova temporada que se realiza no fim de semana de 8 e 9 de junho em Barrancos, no Baixo Alentejo.

Aqui ficam as propostas para esta edição:

MÚSICA

  • Sábado, 8 de junho, 18h30 | Ellen Rabiner e a tradição do canto lírico: uma diva da Met no Alentejo

Local: Cine-teatro de Barrancos

Terra mítica da raia, Barrancos é uma comunidade singular, que se orgulha da sua identidade que, de tão única, inclui até uma língua própria, o barranquenho. É também uma vila com pergaminhos musicais. Fazendo justiça a esta paixão, o “Terras Sem Sombra” apresenta um recital da famosa contralto norte-americana Ellen Rabiner. A cantora é acompanhada ao piano pelo maestro Nuno Margarido Lopes.

Formada na Indiana University School of Music, Ellen Rabiner doutorou-se em Direito pela Harvard University. Fez a estreia na Metropolitan Opera, em 1994, como Erste Magd, em Elektra, de Strauss (papel que também cantou, com Seiji Osawa, na Opera Nomuri). Regressou a esta companhia durante 17 temporadas, interpretando, por exemplo, Sonyetka, em Lady Macbeth of the Mtsensk District, de Shostakovich, a Velha Pastora, em Jenufa, de Janáček, Schwertleite, em Die Walküre, de Wagner, e Die Kranke, por ocasião da estreia, na Met, de Moses und Aron, de Schoenberg. Ficou famosa a sua interpretação como Pasqualita, em Doctor Atomic, do compositor norte-americano John Adams.

O concerto em Barrancos, intitulado “Convite à Viagem: Espaços, Memórias e Tempos do Canto Lírico” traça uma panorâmica desta tradição, do Barroco à atualidade, e revela a abrangência do repertório da cantora, uma das grandes vozes mundiais da transição do século XX para o XXI. Rabiner une uma técnica impecável a um interpretação apaixonada e a um timbre de contralto, um tipo bastante raro de voz feminina, com a mais grave tessitura, cujo alcance vocal da contralto se situa entre o de um tenor e o de uma meio-soprano.

PATRIMÓNIO

  • Sábado, 8 de junho, 21h30 | Ler o Céu e as suas Tradições: Da Astrologia à Astrofísica

Local: Parque Natureza de Noudar e Herdade da Coitadinha

Uma segunda etapa do dia tem por meta o castelo de Noudar, às 21h30. Aqui, o alvo é uma visita guiada ao magnífico céu noturno de uma das zonas mais escuras de Portugal. Os participantes orientar-se-ão pela estrela polar, identificarão as constelações e conhecerão lendas associadas a este mundo misterioso. Farão também a observação da Lua e, relacionando a cor das estrelas com as suas idades e temperaturas, descobrirão enxames de estrelas, nebulosas e galáxias, contarão as luas de Galileu a orbitar Júpiter e examinarão os anéis de Saturno. A imensidão, a luminosidade, a altura, a inacessibilidade, a ligação com os fenómenos meteorológicos sacralizam o firmamento, morada divina. Não por acaso, a origem do Universo deriva, em muitas mitologias, da hierogamia entre o Céu e a Terra, origem de outros entes divinos que, numa especialização politeísta, interagem com tudo o que existe, povoando o éter. Os corpos celestes narram-lhes a história, permitem calcular rumos, medir o tempo e, segundo uma velha crença, adivinhar o futuro.

Este património imaterial vai ser cruzado, na sessão de Noudar, com a observação dos astros, de telescópio em punho, numa iniciativa que conta o apoio do Observatório do Lago Alqueva, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores. Os guias são os astrofísicos Nélson Nunes e João Retrê e o astrónomo Pedro Ré.

BIODIVERSIDADE

  • Domingo, 9 de junho, 9h30 | Todos por Um: Prevenção e Combate do Fogo na Raia

Local: Herdade da Coitadinha

A manhã de domingo é dedicada ao conhecimento da prevenção e combate do fogo num território raiano de elevado valor ambiental. Sob a orientação de peritos das corporações de bombeiros do Baixo Alentejo, mas também da Andaluzia e da Extremadura, regiões contíguas ao território barranquenho, vai compreender-se como, graças a um projeto pioneiro ao nível ibérico, os incêndios são controlados através de uma cooperação transfronteiriça dinâmica e permanente, que aposta sobretudo na antecipação e na resposta rápida.

Portugal tem a mais alta taxa de incidência de incêndios rurais (que afetam não só a floresta, mas também matagais, prados e áreas agrícolas) do Sul da Europa. A combinação entre índices elevados de acumulação vegetal com verões secos e quentes facilita a ocorrência de incêndios. Estes são responsáveis por alterações significativas da cobertura do solo, provocando diminuições de áreas de determinadas espécies, e a redução das áreas agrícolas leva também à perda de espaços cultivados, ocupados por espécies menos suscetíveis ao fogo e capazes de funcionarem como obstáculos à propagação de grandes incêndios.

Sendo expectável que as alterações climáticas contribuam para o agravamento desta situação, pode tornar-se incomportável manter sistemas de combate suscetíveis de resolver picos extremos de incidência. Apostar e investir fortemente na prevenção é a alternativa mais viável. Nesta atividade, vamos conhecer a articulação entre a prevenção e o combate num território raiano de elevado valor ambiental onde tal é feito conjuntamente com as regiões autónomas da Andaluzia e da Estremadura, graças a uma cooperação transfronteiriça dinâmica e permanente: o incêndio de um é o incêndio de todos.

A iniciativa conta com a colaboração dos Bombeiros Voluntários de Barrancos e dos serviços de combate aos incêndios florestais dos Governos da Andaluzia e da Extremadura, sendo guiados pelo engenheiro florestal Diogo Nascimento, pelo técnico de Ambiente José Perdigão e pelos coordenadores operacionais Carlos Pica, Alejandro Anarte e José Correa.

As atividades do “Terras Sem Sombra” são de acesso livre e resultam da parceria com o Município de Barrancos e a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, SA.


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