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“Todas as Canções de Amor” vence 10.º FESTin

Escrito por em 23/05/2019

“Todas as Canções de Amor”, de Joana Mariani, foi considerado o melhor filme da 10.ª edição do FESTin, na atribuição do júri do festival. Já o público deu o galardão a “Unicórnio”, de Eduardo Nunes. A noite foi de comédia popular com a antestreia de “Sai de Baixo”.

Sentei-me no topo da sala principal do Cinema São Jorge, vista privilegiada para o que lá em baixo se passava. A azáfama pairava pelo salão. Lá em baixo, um aglomerado e máquinas fotográficas. O mais incrível é como se detetam pequenos aglomerados no meio de multidões – ainda que a maior parte estivesse sentada. Abraços, beijos, fotógrafos, mais abraços. Era o encontro de Patrícia Pillar, que no dia anterior também ali tinha estado para apresentar “Unicórnio”, Miguel Falabella, Marisa Orth, o casal protagonista da mítica série “Sai de Baixo”, que se transformou em filme (muito corrido, mas filme).

Também lá estava Maria Vieira, que em tempos muito idos trabalhou com Falabella. Magda e Caco Antíbes subiram ao palco e o São Jorge aplaudiu. São assim os fenómenos. O encerramento ficou a cargo, assim, de um filme de comédia que tem estreia esta quinta-feira em território nacional e que o FESTin aproveitou para dar em primeira mão. No mesmo dia, às 21:00, no City Alvalade, a tela passava “Prazer, Casa 8”.

Este foi, talvez, o encerramento mais popular do FESTin, que exibiu ao longo de oito dias 46 películas, entre longas e curtas-metragens, documentários, filmes infantis e que deu a “Todas as Canções de Amor”, um filme no limbo entre o cinema de autor e o blockbuster, o prémio de Melhor Filme. A premissa é interessante: um novo casal vai habitar um apartamento onde, nos anos 90, outro casal morou e onde, aparentemente, o casamento se desmoronou. Antes do final dessa união, Clarice deixa gravado em K7 várias músicas que dão o tom aos seus sentimentos em relação ao marido.

A nova moradora, Ana (interpretado pela sempre unidimensional Marina Ruy Barbosa), é escritora e ao encontrar a fita passa a viver naquela história e será ela, a fita, a sua fonte de inspiração. Por isso, as cenas entre Clarice e Daniel podem ser do plano do sonho, podem ter acontecido. Do filme salvam-se as canções, que muitas vezes abafam os diálogos, porque o ouvido fica colado nelas – como é o caso de Codinome Beija-Flor, de Cazuza, alguns planos em que a realizadora joga com a luz e os espelhos, a janela imensa daquela sala naquele duplex no meio de São Paulo (Sampa visto do céu continua lindo) e Júlio Andrade, que faz qualquer personagem valer a pena e que permite a Luiza Mariani, a neurótica Clarice, não se perder na trama. À exceção de Júlio, nenhum outro ator do quarteto consegue sair do cliché. O momento em que ambos dançam ao som de Chorando se foi, entrelaçando-se na tela com o novo casal, é bonito. Muito. É leve e fluído, coisa que o filme, de uma forma geral, não consegue.

PALMARÉS 10.º FESTIN

Melhor Filme
“Todas as Canções de Amor”, de Joana Mariani

Melhor Filme para o público
“Unicórnio”, de Eduardo Nunes

Melhor Realizador
Aly Muritiba, por “Ferrugem”

Melhor Ator
Daniel Oliveira em “Aos Teus Olhos”

Melhor Atriz
Tiffany Dopke em “Ferrugem”

Melhor Filme para o Júri da Crítica
“Ferrugem”, de Aly Muritiba

Menção Honrosa para o Júri da Crítica
“Boni Bonita”, de Daniel Barosa

Melhor Documentário
“Lusófonas”, de Carolina Paiva

Menção Honrosa para Documentário
“Início do Fim”, de Francisco Júnior Gonçalves

Melhor Documentário para o público
“O Pequeno Escritor”, de Júlio Silva

Melhor Curta-Metragem
“Viagem de Icaro”, de Kaco Olimpio e Larissa Fernandes

Menção Honrosa de Curta-Metragem
“Grito”, de Luiz Cassol

Melhor Curta-Metragem para o público
“Mambo”, de Nuno Barreto

Prémio Festinha para Melhor Filme Infantil
“A Zeropeia”, de Rodrigo Guimarães


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